terça-feira, 1 de setembro de 2009

AS COMPETÊNCIAS DA ALFABETIZAÇÃO - COMO SABER SE O ALUNO ESTÁ ALFABETIZADO


AS COMPETÊNCIAS DA ALFABETIZAÇÃO - COMO SABER SE O ALUNO ESTÁ ALFABETIZADO 


Texto elaborado por Luciana dos Santos Tapajós da Costa



      Com os avanços da Psicologia Cognitiva da Leitura permite um mapeamento bastante detalhado das competências que precedem, acompanham e se tornam possíveis com a alfabetização.
A - Competências que antecedem a alfabetização:

  • A capacidade de lidar com livros e textos impressos;

  • A consciência fonológica (a capacidade de discriminar sons);

  • A familiaridade com comandos e instruções usuais no ambiente escolar.

B - Competências centrais ao processo de alfabetização:
1. Na leitura

  • A consciência fonológica - perceber que diferentes letras produzem diferentes sons;

  • O principio alfabético - perceber que há uma relação entre a presença e posição de um grafema e o som que ela tem na palavra;

  • A decodificação – ser capaz de pronunciar o som de uma palavra escrita ou transformar em escrita uma palavra ouvida;

  • A fluência – realizar a correção e o ritmo na leitura de textos.

2. Na escrita
  • Capacidade de escrever de forma legível ( scursiva ou bastão é uma escolha da criança);
  • Capacidade de escrever de forma ortográfica;
  • Capacidade de escrever frases.

C - Competências que precedem, acompanham e sucedem o processo de alfabetização:

  • Desenvolvimento do léxico;

  • Desenvolvimento de competências de compreensão de texto, e que incluem competências sobre a estrutura, lógica e usos sociais dos diferentes tipos de texto, bem como estratégias gerais de compreensão e produção de textos.
     Definida a alfabetização e as competências que a possibilitam, cabe identificar os instrumentos mais adequados para avaliar se o aluno está alfabetizado.

Como avaliar se o aluno está alfabetizado.

      No ensino tadicional a avaliação se dá quando o diretor ou o coordenador  “toma a leitura” dos alunos para verificar se estão alfabetizados.
     O ditado continua sendo um instrumento prático eficaz para verificar a capacidade de transcrição escrita do código alfabético.
   
A Fluência de Leitura

     Para avaliar a fluência de leitura, devemos utilizar:
• Um texto que o aluno não tenha lido, de estrutura morfossintática compatível com a idade e nível de desenvolvimento do aluno;
• Uma leitura cronometrada;
• Contagem de erros (gaguejar, parar, silabar, decodificar), porém o professor não contará esses erros diante de toda a turma, essa contagem é do professor, na sua observação da leitura do aluno .

A Capacidade de Escrita
 
    Para avaliar a capacidade de escrita o ditado é um instrumento valioso, levando em conta:
• A fluência (o tempo necessário para escrever);
• A legibilidade (escrita compreensível);
• O nível de correção ortográfica;
• O atendimento a regras básicas de pontuação e uso de maiúsculas;
• A disposição da escrita no papel de acordo com a natureza da mensagem.

   Um aluno pode ser considerado alfabetizado quando domina essas competências. Nas séries seguintes a ênfase do ensino da língua passa para outros aspectos, tais como o desenvolvimento do léxico, a correção ortográfica, o domínio da sintaxe e a compreensão e produção de textos. Contudo, nada impede que essas habilidades sejam ensinadas e avaliadas antes e durante o processo de alfabetização. No entanto, são necessários cuidados especiais para que essas competências sejam avaliadas de forma independente da avaliação das competências específicas da alfabetização.

Compreensão e Produção de Textos

    Até o momento nos referimos às competências centrais e básicas do processo da alfabetização. O aluno, mesmo depois de ser considerado alfabetizado, ainda precisa e pode desenvolver fluência de leitura e escrita. Também precisará desenvolver sua capacidade ortográfica – que são competências próprias da alfabetização.
    Mas já alcançou um nível básico que lhe permitirá acompanhar série/ano seguinte, ou seja, usará a leitura e escrita para aprender, ao invés de aprender a ler e escrever. 
   Entretanto, a compreensão e a capacidade de produção de texto são competências que nem começam nem terminam na escola. Antes do período escolar e ao longo da vida aumentamos nossa capacidade de compreender e escrever devido ao desenvolvimento de nossa capacidade mental e dos conhecimentos que adquirimos sobre os vários assuntos sobre os quais lemos ou escrevemos.
    A criança compreende textos bastante complexos antes de ser alfabetizada simplesmente por ouvir a leitura por parte do adulto, e também é capaz de produzir textos orais. Contudo, a mesma criança recém-alfabetizada ainda não possui as competências que lhe permitam compreender esses mesmos textos se ela própria tiver de lê-los. Isso ocorre por que ela mesma ainda não possui a fluência adequada: ela tem uma dificuldade de leitura que, por sua vez, impede a compreensão. Mas, isso não significa que essa criança tenha uma dificuldade de compreensão. Daí a necessidade de cuidados e técnicas próprias que permitam avaliar a capacidade de leitura e escrita de forma independente da mensuração das capacidades de compreensão e produção de textos, no caso de alunos recém-alfabetizados. 
    O mesmo acontece com a escrita. O aluno pode ser capaz de pensar e ditar um texto razoavelmente estruturado e elaborado. Mas se não souber escrever com legibilidade e fluência, pode não “produzir um texto”. Portanto, se o professor na sua avaliação, não se assegurar, de forma independente, que o aluno possui competências de caligrafia e ortografia, não tem como avaliar se o aluno deixou de produzir um texto porque não possui as competências de produção de texto - embora saiba escrever no sentido próprio da palavra – ou porque não possui as competências básicas da escrita. Nesse caso o teste foi inútil, pois não avaliou nem uma coisa nem outra.
    Cabe deixar claro que um aluno devidamente alfabetizado, ainda que com fluência limitada de leitura e escrita, deve ser capaz de compreender textos simples e compatíveis com seu nível de leitura, deve ser capaz de redigir frases com uma estrutura sintática simples. Porém, a questão é que quando a criança não adquiriu a base, usar testes com textos complexos e exigir produção de textos também complexos não permite saber nem se a criança está alfabetizada nem se ela consegue compreender ou produzir textos.  

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